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| Parque Estadual dos Três Picos |
Destino do feriado de 12 de outubro era Salinas, no Parque Estadual dos Três Picos, um lugar que me encanta a cada dia e me deixa cada vez mais viciado pela escalada aventura, com suas belas montanhas e vias exigentes tanto tecnicamente como psicologicamente. Local escolhido e fiz o convite pra um aluno, amigo e grande parceiro de escalada Pablo Veloso, saímos com nossas respectivas esposas para este fim de semana que foi incrível.
| Galera feliz |
Escalar em salinas pra quem mora no interior de Minas Gerais desprende um certo trabalho, gastamos em média cinco horas e meia de viagem, mas vale cada minuto, a viagem é bonita e as cias foram ótimas. O destino dessa vez era o abrigo Gaia de Luz.
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| Gaia de Luz |
Lugar incrível e muito aconchegante, deixa as energias renovadas, e sentimos uma paz fora do normal.
Sai com várias vias em mente e quando cheguei em salinas fiquei mais perdido ainda, toda vez que olho para aquela montanha me sinto hipnotizado, mas nada que uma boa conversa se resolva.
Mostrei os croquis para o Pablo que toda hora me dizia: fio eu não conheço nada aqui, só não vamos fazer algo muito difícil kkkkkk, mas mesmo assim continuamos o papo e a decisão final ficou na via Trapos e Trapanos D3 6 Vlla E3 450 metros, que ao meu ver é uma via bem respeitada por sinal.
| trilha para a base |
Começamos a empreitada bem cedo, afinal era salinas, e suas montanhas e escaladas místicas, chegamos na base cedo e deu tempo de comer algo e ouvir até uma música antes de começar a escalar. Pablo levou um rádio pra comunicarmos com as esposas durante a escalada e este pegava fm e am.
| base da via Trapos Pablo e eu |
Bem a parede realmente impressiona um pouco, e o inicio da escalada também, as primeiras enfiadas se mostram bem exigentes, num estilo bem técnico. com passagens em aderência, puro desfrute para os amantes deste estilo e puro terror pra quem ta acostumado com muitas agarras, lances comuns em salinas, que servem pra deixar o escalador esperto e atento o tempo todo do climb.
| primeira enfiada |
| um mar de pedra pela frente |
Logo na P1, Pablo chega reclamando de uma dor no tornozelo, já havia se machucado em uma parede na Pedra Menina em Minas Gerais, mas que não o incomodava mais, logo em salinas resolve voltar, e tocamos mais umas enfiadas mesmo sentindo dor e na P2 chega reclamando de novo da dor.
| P2 da via |
Logo comecei a pensar no que fazer, a integridade física de meu amigo vinha sempre em primeiro lugar, do que a escalada, mas não perguntei muito se ele queria descer kkkk... vai que ele aceita kkkk brincadeira. Ele nào reclamou tanto então resolvi tocar logo para a P3.
Lances esticados, comuns nas escaladas de salinas, fui tocando sem pensar muito, e a escalada fluiu até bem, cheguei na P3 e chamei Pablo, minha cabeça estava voltada pra decidir ou não se desceríamos da escalada, afinal ele reclamava e escalava um pouco lento por conta das dores. Pablo chegou na parada reclamou da dor e eu fiz a pergunta: Fio quer descer? Se for descer vamos descer daqui?
| Pablo chegando na P3 |
A resposta dele foi rápida e brevê, ate assustei, disse: fio bora pro cume, viemos pra fazer a via e vamos fazer, mesmo sentindo dor o guerreiro mostrou empenho e dedicação a escalada e ao propósito de chegar na cume do capacete, fiquei pilhado mais ainda, peguei os equipos e toquei logo a outra enfiada, o dia estava lindo, céu azul, sol, ventava um pouco que ajudou a refrescar um pouco, senão seria bem pior a escalada.
| quarta enfiada |
A Trapos e trapanos é realmente uma via exigente, e a cada enfiada se torna mais difícil e vertical. A quarta enfiada teve alguns lances delicados e é bem bonita, mas estávamos prestes a chegar nos lances mais marcantes de toda escalada. Chegando na P4 me deparei com um diedro lindo, e que tinha lances de Vl que deixam qualquer escalador de cabelo em pé, lances esticados protegidos em nuts, enfiada quase toda em móvel, um presente, enfiada delicada e que engana muito kkkkk, achei que tinha muitas agarras no crux e eram todas abauladas, mas chegamos na P5.
| Pablo na P5 |
Confesso que nesta enfiada fiquei até um pouco cismado, porque se no lance de Vl já deu um certo frio na barriga, nem conseguia imaginar o lance do crux da próxima enfiada que era 7a, sem contar nos fatores de exposição que nem fico citando, porque são comuns em salinas, mas já estávamos na P5 e faltavam apenas 4 enfiadas pra terminar a via, meu parceiro dando o sangue escalando com dores no tornozelo, enfim, nem pensei muito em nada.
| sexta enfiada |
| chegando no crux de Vlla |
O crux da sexta enfiada é um lance exigente e o que me deu mais trabalho nesta enfiada foi costurar a primeira proteção, e proteger antes de chegar no crux, que existe uma fenda, porque a via te puxa o tempo todo para a direita e esta fenda tá do lado esquerdo, tive que desescalar e proteger, o lance pra se chegar no crux foi muito mais tenso que o próprio kkkkk, mas a enfiada é linda e verticalzona, passamos a parte mais complicada da via e a partir daí seria mais diversão ainda.
| Pablo chegando na P6 |
Depois desta enfiada é realmente um passeio e a montanha começa a dar uma trégua, ficando as enfiadas mais fáceis, e as proteções cada vez mais distantes, a beleza não cessa em momento algum, outra bela enfiada com passadas em móvel, lances esticados com pequenas horizontais e uma coloração meio alaranjada, que deixam qualquer um sem palavras.
| Escalada aventura e puro visual |
A escalada fluiu mais rápida neste trechos e aproveitamos o visual que era lindo, ventava mais e estava tudo perfeito.
Passeamos pelas duas últimas enfiadas que eram bem mais tranquilas, e chegamos na P9, onde chamei Pablo que chegou e saiu para o cume, danado esse menino, nem lembrava da dor mais, o menino tava cansado, mas a sensação de chegar e bater no cume contagiava., neste momento encontramos com alguns escaladores que escalavam a Sólidas Ilusões, via que já escalei em uma outra trip.
Juntamos tudo, organizamos e partimos para assinar o livro de cume, Pablo nem sabia que existia isso lá kkkkk, quando chegamos fomos tirar uma foto pra registrar, a bateria da máquina havia zerado.... ficamos sem a famosa foto de cume, mas as lembranças dessa bela escalada estão gravadas dentro de nossas memórias.
A cada dia que passa fico mais apaixonado por este lugar, a vontade de voltar já está em alta, e ainda mais que o parceiro ficou sem foto de cume, já estamos agitando uma volta kkkk ....
Agradecer a minha esposa que me incentiva e tem toda paciência do mundo comigo, porque quando to em paredes fico mais longe de casa que tudo, e longe dela a pessoa que amo.
Salinas retorno em brevê......

