sexta-feira, 15 de julho de 2016

Via: Secundo Costa Neto


Mais uma escalada clássica e de responsa, agora no Rio de Janeiro. Depois que voltei da trip de Salinas Pedro Naves um amigo me convidou ou melhor me chamou pra escalar o Pão de Açúcar, ele tinha um sonho de escalar lá que ainda não havia realizado. Se fosse em outra época a melhor via seria a famosa Italianos, mas como já havia feito essa via três vezes e este ano não estou repetindo nenhuma via a opção que joguei pra ele foi a Secundo. No inicio ficou com receio por conta de lances mais difíceis e tal, mas lá fomos. Saímos da cidade pacata de São João del Rei as 5:30 e chegamos na Urca as 9:30 do dia 18 de junho. Demoramos mais de uma hora tentando estacionar o carro, planejamento já havia furado neste momento, até que decidimos colocar o carro no estacionamento do shopping. Resolvido isso seguimos a pé, 15 minutos até a praça e dai para a trilha da via.
Traçado da via
A trilha é relativamente leve, depois que chega nas torres anda se um pouco e depois começa a descer em direção a face norte, o diedro da Secundo é bem fácil de se achar.A via começa por uma chaminé que vou te contar viu,  algo bem desgastante por sinal, a primeira proteção fica bem alta, no dia que fizemos havia duas cordas entaladas nas pedras, e isso nos facilitou na hora de proteger, mesmo assim foi bem cansativa. Escalei sem capacete e com o minimo de coisas, dicas de meu amigo Júlio Melo do Rio. Parei no grampo e puxei as duas mochilas e todo equipo que tínhamos levado. Depois continuei a escalada até a P1 onde puxei o Pedro.
Pedro chegando no grampo da chaminé
Está é uma das mais clássicas do PDA, e nem por isso se torna uma das mais facéis de lá.
Agora sim só alegria...
Perdemos muito tempo para estacionar o carro e iniciarmos a trilha, começamos a escalar por volta de meio dia, o horário que me persegue.... gastamos em torno de uma hora nesse lance da chaminé até a P1, eu realmente não me dou muito bem neste estilo kkkk.
Pedro chegando na P1 


Passado isso começa lances verticais e muito bonitos, é uma via bem protegida por sinal, a segunda enfiada é linda, começa com uma pequena chaminé e passa a um diedro lindo protegido por grampos.
Pedro no diedro da segunda enfiada

A partir daí a escalada começou a render, afinal eu prefiro muito mais lances verticais ou até mesmo negativos com agarras é claro kkkk , do que entalamentos de chaminés. Logo cheguei na P3 da via.
Pedro chegando na P3.
A P3 é bem confortável com um plato de dar inveja, visual incrível, e tivemos um dia bem diferente do que os cariocas estão acostumados, pode acreditar, senti frio na parede. O tempo fechou e eu inocente e bobo não levei nenhuma blusa kkkk. 
Self na P3
Uma paradinha pra lanche e algumas fotos nesta parada.
Eu e o Pedro na P3

Existe uma variante nesse lance, mas seguimos pela linha normal, eu levei um croqui antigo que nem tem grau nos primeiros lances, e eu achei que era  no máximo uma escalada de 4 grau sei lá, e faço um lance e outro todo delicado, costuro, outro lance delicado e passo, e vou tocando a enfiada que tem o lance de 7 lá em cima no meu croqui. Depois fui comparar o croqui com o atualizado, eu tinha passado um lance de 7a e nem tinha visto kkkk, bom né, sinal que os treinamentos estão dando algum resultado. Está enfiada é bem vertical e muito bonita. Cheguei na P4 e puxei o Pedro. Nesta hora ele já desmontrava sinal de cansaço, e estava até adrenado, afinal, ele nunca tinha escalada lá e uma via deste porte. Queria fazer algumas paradas nas chapas pra descansar, mas eu dei aquela leve apertadinha por conta do horário, tínhamos começado tarde a escalada e ainda havia um cado de rocha pra cima. Quando ele chegou ajeitei tudo e já sai guiando rapidamente, até mesmo porque a parada é bem aérea e desconfortável, a próxima seria em um plato. A outra enfiada foi bem tranquila e fluiu bem mais rápido. chegando na P5.
Pedro chegando na P5
Faltava apenas uma enfiada que eu não conhecia, porque já havia escalado tanto a italianos como a Cavalo louco, e feito estas duas com o final da Secundo. Como estava nublado, ia acabar escurecendo mais cedo do que o normal. Neste dia ventou muito na parede. 
Eu guiando a sexta enfiada
Quando cheguei na P6 da via já não tínhamos nenhum sinal de sol, quando o Pedro chegou então, mas dali pra frente eu já conhecia bem, e toquei as próximas duas em uma enfiada só esticando bem a corda. Neste momento cheguei a sentir uns pingos de garoa em mim. E quando o Pedro chegou na P8 já estava quase escuro, mesmo para o horário que era umas 17:30 mais ou menos.
 Saindo dai passe todo para o lado direito e chega a uma base onde se inicia a última enfiada, que terminei usando a lanterna de cabeça, toquei sem exitar muito afinal já estava tarde. Pedro tinha esquecido a lanterna e teve que limpar a ultima enfiada assim mesmo kkkkkkk. Chegamos no cume as 18:50 pm mais ou menos.
Cume pela via Secundo Costa Neto
Comemos alguma coisa de descemos pelo bondinho, uma vantagem de se escalar no PDA.
Como já estava muito tarde e o Pedro sem lanterna, esperamos mais um pouco até fechar a bilheteria e descemos pelo segundo bondinho até o chão kkkkk que beleza, eu nem to acostumado com isso kkkkk.
Mais uma bela escalada neste local incrível.
Grande abraço e bons ventos.















Salinas Lugar Mágico

Lugar encantado
Quinta feira antes do feriado converso com o Paulo pra acertar a saída e ele me diz que não poderia viajar mais, fiquei sem lugar. Iria perder o feriado e a viagem pra Salinas, afinal fica muito longe de minha casa, a melhor opção sempre é feriados longos. Liguei para Thiago Lemos e fiz uma guerra psicológica com ele. Falei tanto na cabeça dele que aceitou ir comigo nesta empreitada, mesmo sendo em cima da hora, desmarcou seus compromissos e assumiu a responsabilidade de dividir a corda comigo nas imensas paredes de granito no local mais tradicional do Brasil para escaladas de aventura.
Parti pra Barbacena na sexta de madrugada, encontrei com o Thiago e seguimos para nossa trip, minha ideia inicial era ir para o morro dos cabritos e escalar uma via lá primeiro, mas poderia ser mudado e seguir direto para os três picos.  Já chegando na região de Terê decidimos que a primeira escalada seria realmente no vale dos frades, afinal já estávamos a muito tempo dentro do carro.
Chegamos em um horário incomum para se escalar uma parede nessas regiões, era 10:30, ajeitamos as mochilas, pegamos um pouco, bem pouco de comida kkkkk e começamos a trilha. Destino a via Mário Arnauld D3 5 Vl A1 E1 500 metros, afinal era a primeira vez de Thiago em paredes assim e em salinas, optei por esta linha mais protegida para ele se adaptar. Caminhada de aproximadamente uns 50 minutos e estávamos na base da via. Meu parceiro além de escalador é fotógrafo, mas esqueceu o cartão da câmera kkk. Havia uma cordada escalando a mesma via. Começamos a escalar praticamente meio dia, uma loucura mas kkkk...
Thiago limpando a via
A escalada foi fluindo muito bem, pensamos até que poderíamos alcançar a cordada acima de nós, kkkk, mas era muita parede. Em montanhas o clima muda drasticamente, começamos a escalar com um sol e de repente tudo muda.
Cada vez mais alto na parede
A escalada seguia sem grandes problemas, uma via muito protegida que nem retrata o real estilo das paredes de salinas, a graduação aumenta de acordo com que se ganha altura na escalada. Pra completar não achamos alguns grampos de paradas kkkk, e seguimos nossa empreitada para vencer a montanha e o tempo, afinal tínhamos começado muito tarde.
eu e o Thiago em uma das paradas
Chegamos na P8 e havia duas opções, a linha original ou uma variante em móvel em um diedro lindo, que não ouvi as dicas e não levei os micros friends, enfim, pensei umas duas vezes, mentira kkkkk uma vez só.
Tocamos pelo diedro que no croqui diz 3 grau kkkkk aiaiaiaiaia. Alguns lances delicados para esse homem gigante que eu sou de 1,63 m, e o Thiago diz que viu meu rosto se transformando kkkkk. Fui subindo protegendo uma peça aqui , outro ali e cheguei no final do diedro, lindo por sinal e fiz questão de tirar fotos da parceria nele.
Thiago escalando muito
Uma sequencia bem linda nessa escalada.
Thiago no final do diedro
Depois a escalada vai ficando cada vez mais vertical, fomos superando e curtindo a escalada. Thiago começou a dizer que estávamos mudando de fase, como no vídeo game, isso nos divertia. 
clima de montanha
Corríamos contra o tempo, descer da montanha a noite já era uma certeza que me passava pela cabeça a cada enfiada. Passamos pela enfiadas verticais e chegamos na P12 onde se caminha por entre bambus e matos, uma das piores da via kkkkk, mais díficil kkkk e chegamos na base do artificial P13. Uma enfiada chata para escalar, grampos espaçados e não levei nenhum estribo, improvisei com uma fita e toquei pra cima, o final desta era em livre também. Quando cheguei na P14, a cordada que estava acima de nós já estava descendo, e o sol também, já era umas 17:30 pm. Thiago subiu limpando está enfiada e quando chegou  na parada tínhamos somente um pouco de luz, mas sem sol algum kkkk. A vontade de terminar a via era sanguinária e sai tocando a ultima enfiada e mais chata pra mim, com lances em diagonais e horizontais que fazem um arrasto gigante na corda mesmo colocando fitas grandes, terminei a enfiada sem lanterna, mas já estava escuro, tanto que nem costurei o último grampo kkkkk. Thiago veio limpando a enfiada com lanterna de cabeça e chegamos na última parada as 18 hs.
cume as 18:00 hs
Era apenas a metade de nossa jornada iniciando, afinal teríamos que rapelar os 500 metros de via e tudo a noite, começava a saga novamente. Ainda curtimos um pouquinho o sofrimento do frio e da noite , antes de descer, afinal, aquele visual era extremamente lindo.
A descida em montanha é perigosa e meticulosa, quando isso é a noite então dobra tudo. Dava para ver as lanternas da cordada que havia descido na nossa frente e o tempo que demoraram pra isso.
Começamos, no inicio foi ate tranquilo, passamos novamente pela matinha e ai já começa os trabalhos para achar os grampos kkkkk. Isto até não me preocupava, mas sim as duas enfiadas de mato do meio da via, e as enfiadas que não achei os grampos da parada kkkkk. Se não havia achado de dia, imagina a noite kkk.
Monta rapel, abre rapel, puxa corda, uma rotina que se estendia pela noite kkk. Chegamos perto das enfiadas que passamos pelos matos e meio que nos perdemos no meio da montanha, e dale Jonatas montando rapel em árvores pequenas.... lembrei do Pablo meu amigo Árvore kkkkk. Seguimos e a hora passando juntamente com isso. As lanternas nem estavam muito boas e o cansaço batia cada vez mais. Enfim achamos novamente os grampos e continuamos nossa descida, até chegar na base da via. Onde chegamos exatamente as 23 hs totalizando uma jornada de 11 horas ativas na via. Isto tirando a viagem kkkk. Caminhamos até o carro onde chegamos por volta de meia noite, o dono da casa em frente a trilha ficou preocupado e disse que eramos loucos de começar a escalar tarde kkkkk. Mortos de fome, a opção que tínhamos era seguir pra salinas e chegar muito tarde e sem comer algo direito,  nosso salvador foi o amigo Gilson Manoel que nos recebeu em sua casa mesmo sendo na madrugada kkk. Salvador nosso, chegamos em sua casa por volta de uma e meia da manha, fizemos uma sopa e dormimos, ou melhor apagamos.... 
Dia seguinte 8 hs destino Abrigo do Mascarin e fomos nós.
Abrigo do Mascarin
Neste mesmo dia ainda fizemos uma tentativa de escalar no capacete, a via era a Cagões e mercenários, mas a via é bem intensa kkk, e quando chegamos na base , putz, o frio se tornou intenso demais. Cansados do dia anterior, de uma jornada intensa, muito teriam tirado o dia pra descanso, e nós tentando fazer outra via. Nesta hora tivemos que reiniciar o jogo, e voltar pra fase anterior. Voltamos e tiramos o resto do dia de descanso, afinal teríamos dois dias ainda de escalada e vias maiores, agora em salinas.
A empreitada do dia seguinte era escalar no capacete a via Fata Morgana  D3 5 V+ E3 280 metros, esta inicia a partir da segunda enfiada da CERJ, uma via linda, realmente linda, com enfiadas inteiras protegidas em móvel, eu e o Thiago fizemos a burrice de não levar nem cel e nem câmera pra registar nada dessa escalada. Uma das vias mais bonitas que já escalei lá, com passadas expostas e delicadas, normal do lugar ne kkk, Thiago vinha dizendo que já tínhamos começado no nível hard do jogo neste dia, e que a cada lance era um chefe a ser detonado kkkk, riamos, curtíamos a vibe, escalamos bem tranquilos neste dia. O tempo também ajudava bastante, fazia frio, mas o sol aparecia e nos  presenteava em muitos momentos. Chegamos no cume e nem registramos kkk, assinamos o livro, pensamos em esperar uma amiga que escalava a El Kabong, na expectativa que tivesse uma câmera kkkk. Mas decidimos descer e descansar. Afinal o último dia ainda íamos escalar mais uma via.
preparo de nosso jantar
Fizemos um rango daqueles e Thiago nos presenteou com estas fotos, da pra perceber que as melhores fotos foram tiradas por ele claro kkk. Depois de um rango muito bom e quente descansamos fomos pra barraca descansar, e teria que ser cedo, porque tinha um camarada em uma barraca perto da nossa que parecia um trator pra roncar kkkkk. Separamos o equipo e já tínhamos a via do dia seguinte em mente, Sol Celeste D2 5 V+ E3 280 metros. No pontão do sol.
Acordamos cedo, tomamos um café e partimos para a trilha novamente, chegamos na base depois de quase uma hora de caminhada. Desta vez Thiago levou sua câmera e tirou algumas fotos.
Base da Sol celeste
Começamos a escalada e neste dia o frio voltou a nos castigar, desta vez veio com tudo. No dia que chegamos no abrigo escaladores haviam abandonado esta via justamente pelo frio. Logo na saída meu parceiro tirou algumas fotos que viraram poster na minha casa.
Primeira enfiada
As duas primeiras enfiadas não são tao verticais, são lindas e de responsa do mesmo jeito. Passadas super delicadas, e fui ganhando altura na parede.
ainda na primeira enfiada
A segunda enfiada já tem um crux de dar trabalho, que demorei uns 35  minutos pra resolver, Jesus , vai e volta, sobe e desce, e consegui resolver. Thiago passou sem problemas e tirou todo o atraso que tive nesse lance.  
Eu na segunda enfiada e muita parede pra cima
A terceira enfiada já começa a verticalidade e lances cada vez mais longos. Linda enfiada, mostrando o que há de melhor em salinas, escalada de responsa.
Thiago limpando a terceira enfiada
Lances delicados que pareciam nos dizer o que ainda estava por vir kkkk.
Thiago chegando na P3
Chegamos na P3, ponto extremamente vertical, ventava bastante, o frio nos cortava, e olhei pra cima o próximo grampo estava a uns 15 metros da parada kkkkk. Bem ta na chuva é pra se molhar, objetivo traçado e lá fui eu guiar mais uma enfiada, escalava em lances delicados, trabalhando bem os pés, canso de falar isso com meus alunos todos os dias kkk, fui tocando e o grampo parecia não chegar. Quando costurei dei minha primeira respirada aliviado, a sequencia era assim, grampos nessa distancia e o crux era uma saída meio que quase negativa kkkkk ou uma barriga, levei alguns minutos respirando, trabalhando minha mente e conseguir vencer o lance, até que cheguei na P4.
Thiago depois de passar o crux
Pensei em ter passado a pior parte kkkk, mas salinas é salinas como sempre.
Thiago na terceira enfiada ainda
A quarta enfiada, tem um grampo apenas, sendo o restante das proteções todas em móvel, e passa por uma aresta, lances super delicados, o vento quase me derrubou da montanha por duas vezes, escalada realmente comprometida e que neste dia nos desgastou bastante. Muito frio, a comunicação ficava ruim por conta do vento, mas a sintonia e a vibe estava excelente e fez com que a escalada fluísse da melhor maneira possível.
Cheguei na P5. Nesta muito complicado de tirar fotos, meu parceiro veio limpando a enfiada e se juntou a mim na parada. Faltava apenas uma enfiada praticamente, porque da P6 pra P7 é uns 15 metros pra acessar um cume pequeno da via. Thiago se mostrava bem cansado, assim como eu. 
Eu e Thiago na P5
O frio era um fato que estava pesando bastante nesse momento, vou confessar que passou pela minha cabeça em descer da via. Mas tracei um objetivo que é cumprir as vias para o currículo da Aguiperj, e eu sou assim, quando pego uma coisa pra fazer vou até o fim.
Olhei pro meu parceiro e disse to indo pra última camarada. Uma saída meio enjoadinha e depois começa um veio de agarras incríveis com um lance até meio negativo e o mais bonito, praticamente uma escalada limpa, somente um grampo também em toda enfiada. O cansaço, apertava, o frio mais ainda, antes de eu chegar na P6 Thiago chegou a dizer que eu poderia descer limpando a enfiada, porque ele nem iria subir. Fiquei quieto e nem respondi, sabia que o  guerreiro não iria fazer isso no final da jornada, e continuei até chegar na P6. Montei toda segurança e logo chamei Thiago. que sai rapidamente limpando a enfiada. Quando chegou na parada mesmo estando com muito frio e cansado. Ajeitamos e tiramos aquela foto que representa praticamente toda nossa viagem. Ta expressado em nossas faces o que escalar em boa cia , e em um dos melhores lugares do Brasil causa.
Jonatas e Thiago- Sol Celeste
Começamos a descida logo depois, porque o frio só aumentava a cada momento, logo no primeiro rapel a corda agarra em um  bico de pedra, eu tava muito cansado que logo pensei em cortar a corda kkkkk. Mas com calma puxamos e está acabou se soltando, fomos descendo e chegamos bem na base, com o dever cumprido.
Partimos para o abrigo, e lá quando chegamos só havia nossas barracas kkkk, Mascarin disse que realmente aproveitamos o fim de semana. Ajeitamos rapidamente nossas coisas no carro, ainda tínhamos um cado de chão pela frente até nossas casas.
Última foto da trip
Pegamos o carro seguimos de volta pra casa, uma pequena longa jornada de quase 5 horas dirigindo até o interior de Minas Gerais. Encerrava assim a trip das trip deste ano, umas das melhores viagens que já fiz, neste projeto de completar as vias para o currículo. Além da obrigação de completar as vias, conseguimos curtir bem a escalada. Lugar incrível, escaladas incríveis e cia incrível.
Vamo que vamo que ainda tem muita escalada pela frente.
Bons ventos.

























Pré Salinas- Pedra Menina

Quase um mês depois da semana santa eu ( Jonatas Lima) e Paulo Moura retornamos na Pedra do Elefante, após uma investida frustada. Desta vez com toda a pedra seca deu tudo certo. Chegamos no sábado e fomos direto para a via Dumbo na festa no céu 500 metros de escalada que fizemos em simultâneo algumas partes. A escalada se seguiu bem, a ultima enfiada é bem delicada com passadas de 7 grau. O rapel como sempre bem demorado, melhor com duas cordas de 60 m. A câmera que levei pra registar nossa viagem não cumpriu bem a missão, e as fotos ficaram horríveis. No segundo dia partimos novamente para a via Caminho do ouro que na outra investida estava molhada e tivemos que abandonar, sem muitos problemas terminamos a via rapidamente, apenas 300 metros de escalada. Uma via muito bonita por sinal e que recomendo a aqueles que querem engrenar em vias de parede. Muito ruim escrever e não poder mostrar nenhuma foto, mas pra completar o estrago da câmera, além de terem ficado horríveis, eu as perdi no meu pc. 
Bem, mas isto foi só pra relatar pode onde estou passando com meus amigos, nessa empreitada.
Algumas semanas depois eu e o Paulo fomos na pedra menina que fica perto de Capela Nova, pra repetirmos as vias Choquito e Uh o papai chegou, nenhuma delas havia sido escalada após suas conquistas.
Pedra Menina
A câmera ainda era a mesma kkkkk, ruim demais, ainda tinha esperança que alguma foto ficasse legal, mas depois dessa empreitada tive a conclusão que isto seria impossível.
Bom começamos pela choquito uma via toda grampeada de graduação constante, 7a, 7b, A1/9 , 4 e 3 grau por ultimo, escalada delicada em crocas, por isto o nome, toda fixa, escalamos bem rápido, tiramos uma foto com minha super câmera kkkkk e descemos.
Final da via Choquito
Neste mesmo dia Thiago Lemos e Guilherme Otoni tentavam a repetição da via No último minuto conquistada por mim, infelizmente Thiago levou uma queda na primeira enfiada que eu vi de camarote, mas como guerreiro que ele é, se recuperou e terminou a primeira enfiada. Tentaram continuar a escalada, mas os grampos ficam mais afastados  nessa linha, e resolveram abortar e descer do inicio da segunda enfiada. Marcelo de Lafaiete e seu primo também escalavam a via Quilombo das meninas, nunca vi a Pedra menina tao cheia, sem ser um dia combinado de escalada kkkkkk.
Marcelo e seu primo na Quilombo das Meninas
Continuamos nossa empreitada do dia e seguimos para via Uh o papai chegou, cotada em 7 grau também mais ainda sem nenhuma repetição, uma via com lances bem delicados, duas enfiadas de 7 grau , talvez 7b/c e outra de 7a, depois alivia na outra talvez ficando na casa do 5 ou 6, e a última enfiada que pela informações era em livre, ajaaaaa, só no artificial de clif mesmo, porque a pedra é toda lisa , só artificializando. O fim de semana era uma preparação para outra viagem pra salinas no feriado de Corpus Christi. Eu e o Paulo estávamos nos preparando para mais uma empreitada em salinas em um feriado de praticamente 3 dias. Eu e Paulo voltamos pra casa com a certeza que a escalada em salinas iria render, afinal a cordada estava entrosada e rápida. Tudo estava esquematizado para a viagem que seria na outra semana, mas um em previsto estava por acontecer, mas isso já é relato para um próximo post.
Valeu galera bons ventos.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Abertura de temporada


Já faz um bom tempo que não escrevo, mas as escaladas estão a todo vapor. Bom a primeira trip para as vias de aventura ou de parede foi pra Salinas, um dos melhores lugares que eu já escalei.
Fim de semana, com um feriado e tempo instável, mesmo assim eu e Paulo Moura decidimos sair e tentar escalar algumas vias. A intenção era fazer uma via na Pedra do Elefante em Taquaril, mas com chuvas em dias anteriores a via que tínhamos entrado estava molhada a partir da segunda enfiada, então rapelamos e seguimos viagem, afinal o feriado da semana santa estava apenas começando.

Pedra do Elefante
Partimos logo pra salinas, afinal, já tínhamos perdido tempo, chegando fomos direto para o abrigo do Tartari, passamos a noite e seguimos bem cedo para escalar no Capacete, o objetivo era escalar vias menores, até mesmo porque a previsão estava instável. Em salinas todos dizem que o melhor é acordar cedo, escalar rápido para ter sucesso nas escaladas, as vias escolhidas eram bem menores do que o habitual, partimos as 5 da manha da mesma forma respeitando o lugar.
Capacete
Começamos pela via Rodolfo Chermont D2 4 V (A0/Vl+) E1 a 7 da manha, fazia bastante frio, e o tempo fechava toda instante.
Primeira enfiada
Paulo limpando a primeira enfiada
A via  começa por uma linha horizontal, bem bonita, e chega a P1. A segunda enfiada por um lance artificial que pode ser feito em livre, como queria ganhar tempo nem tentei o lance, adiantei o trabalho para ganhar tempo na escalada.
Tempo mudava a todo instante

Paulo limpando a segunda enfiada
Seguimos sem grandes problemas, apesar de ser uma via bem tranquila se comparando com as outras do capacete, ela não deixa a desejar na beleza, e com certeza pode ser uma ótima opção para escaladores que desejam conhecer Salinas e não querem escalar com tanta exposição. Continuamos a escalada, e mesmo se tratando de uma via mais fácil, sempre tem um lance delicado que merece respeito. Afinal é salinas kkkk.
Cheguei rápido na P3 e logo puxei o Paulo que também limpava as enfiadas bem rápido.
Paulo voando na escalada
Depois dessa enfiada a escalada fica cada vez mais tranquila, e consegui progredir mais rápido, afinal a meta era tentar escalar duas vias no mesmo dia, o final tava meio molhado, por conta de chuvas em dias anteriores, mas nada que atrapalhasse a escalada.
Final molhado pra apimentar a escalada
Fechamos a escalada bem, seguimos até o cume, assinamos o livro e voltamos pra rapelar. Descemos pela Sérgio Jacob, linha de descida mais utilizada, e que seria o nosso segundo objetivo. Chegamos na base, comemos um lanche e já partimos para a segunda escalada do dia.
Primeira enfiada
Eu sempre olhei pra essa linha quando descia do capacete, e tenho que confessar que batia uma certa cisma,  grampos bem afastados e uma verticalidade, que chega a impressionar, está já com a característica local, lances em E3 que merecem respeito por quem a escala.
Lances delicados

Nesta eu posso dizer que fiquei impressionado com tanta beleza, já havia descido várias vezes por essa via, mas escala la é realmente incrível, com lances delicados, passadas em lances horizontais, e grampos bem afastados fazem desta via uma linha séria. Una linha curta que recomendo para aqueles que querem descansar em salinas, depois de uma jornada de grandes vias. Vale lembrar que a caminhada é bem forte, afinal o desnível até a base é grande. Chegamos ao final desta escalada e tiramos uma foto assim que o tempo abriu.
Cume da via Sérgio Jacob
D2 5 V E3 150 metros

Novamente subimos até o livro, assinamos e voltamos pra rapelar, chegando a base da via por volta de 12:15am. O dia havia rendido, eu ainda tava com sangue nos zoio pra fazer mais uma, mas as opções eram vias mais fortes e estávamos no inicio de temporada, adaptando novamente as vias de parede.
Decidimos descer e tirar o resto do dia de descanso.
Rapel pela via Sérgio Jaocb
Ficamos o primeiro dia no abrigo, mas decidimos ficar no abrigo do Mascarin nos outros dias, e ficamos acampados, o visual é alucinante e renovador.
Nossa casa na semana santa
Como chegamos cedo, tivemos um grande tempo pra fazer nosso jantar e o Paulo ainda tentou uns boulders perto de onde acampamos, chegou a me convencer a tentar, fizemos alguns lances, e depois resolvemos descansar para nosso último dia nesse lugar incrível. A noite decidimos que a escalada seria no pontão do Sol, e a via escolhida foi No mundo da lua D2 4 V+ E3 300 metros.
Eu estava guiando as vias integralmente, e pra ser sincero até gosto dessa responsabilidade. No outro dia acordamos bem cedo novamente, afinal teríamos que escalar e voltar para São João del Rei depois, praticamente 5 horas de viagem. Como vou guiando tudo organizo todo equipo a noite, distribuo alguma coisa para o parceiro levar, mas neste dia não o fiz, peguei tudo antes da saída. Caminhada para o pontão é a mesma para a base da famosa via Leste, depois se bifurca para a esquerda e sobe mais uns 8 minutos e pronto. Quando comecei a me equipar, reparei que tinha esquecido meu freio la na barraca, olhei para o  Paulo e falei: esqueci meu freio. A cara que o Paulo fez foi de espanto, afinal buscar o freio estava fora de cogitação, trilha de uma hora e meia,  ele ficou até um pouco desanimado, foi quando eu disse, bora sem freio.
Eu guiando a Primeira enfiada
Lances delicados
A via No Mundo da lua é linda, com passadas de aderência, que já assustaram alguns escaladores no dia que entramos heheheheh. Tinha uma dupla que desanimou de subir, porque no guia diz ser 3 grau,  mas Salinas é Salinas, seleciona os escaladores facilmente.
Paulo limpando a enfiada
O Paulo como sempre voava na escalada, vinha limpando as enfiadas rapidamente, progredíamos bem na parede, e o frio começava a apertar um pouco.
Eu guiando mais uma enfiada
Recomendo está via também, lances lindos com passagens em móvel, uma verdadeira escalada de aventura, com um visual incrível, havia decidido deixar a água na base, porque meu camelbak estava vazando, e só levei um pouco de comida e agasalho.
Muita parede
Tudo corria bem e de repente começa a garoar um pouco, isso faltando uns 100 metros pra terminar a via, caraca logo pensei que ia ter que abandonar a via faltando apenas duas enfiadas, comecei a escalar cada vez mais rápido e o Paulo na mesma sintonia veio limpando da mesma forma.
Paulo limpando mais uma enfiada
Ps: com meu agasalho kkkkk
Mas os deuses da montanha estavam a nosso favor, não desanimamos com o inicio da garoa e nem nos assustamos, e logo essa tormenta passou, mas o frio aumentou muito kkkk.
Terminamos a última enfiada, subimos mais um pouco para acessar o cume e tirar uma foto, afinal queríamos registrar o momento.
cume 
Sempre falo para meus alunos nos cursos sobre escaladas de montanha, que quando chegamos no cume, só cumprimos a metade da meta, porque ainda tem que descer toda montanha hehehehe.
E a descida iniciou se bem enjoada afinal eu havia esquecido o freio no abrigo.  Há um bom tempo vem escalado vias de parede pra completar o currículo da AGUIPERJ e tenho guiado as vias integralmente, como também abro toda a descida. Comecei o primeiro rapel utilizando o nó UIAA, que não foi uma boa idéia, a corda ficou toda encocada e chegou a ficar toda embolada, isso era o primeiro de 6 descidas de 50 metros. Havia um trio de escaladores na parede, os caras ficaram até espantados de como a corda ficou embolada. Logo vi que que teria que traçar uma nova estrategia. No segundo rapel já desci utilizando mosquetões, um processo lento também , mas que não deixou a corda fica embolada, assim consegui abrir a descida bem mais rápido.
Paulo no último rapel
Chegamos na base, fizemos um lanche, eu bebi quase um litro e meio de água sem parar pra respirar kkkkk, ajeitamos tudo e partimos para a trilha. Ainda era cedo, chegamos no acampamento, desmontamos tudo e partimos logo para a volta de nossa cidade, o tempo mudará muito e parecia que iria começar a chover.
Quando chegamos em Teresópolis pegamos uma chuva muito forte, e nossa volta pra casa foi lenta por isto.
Um fim de semana bem produtivo para uma data totalmente fora da temporada kkkk, que no nosso caso foi nossa abertura. Feriado da Semana Santa
Bons ventos pessoal.