sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Pedrão - Pedralva

Pedrão
Lugar incrível no sul de Minas Gerais, eu já havia lido alguns relatos e histórias desta montanha que tem uma via muito conhecida a Evolução. Tive o prazer de escala lá com meu amigo Paulo Roberto,que me apresentou este local. Nesta empreitada escalamos também a via Racha Cuca, outra clássica.
Acampamento de luxo

Conheci esta montanha este ano e na primeira viagem acampei com minha esposa e fizemos amizade com os donos do terreno Sr. Tião e Dona Romilda, pessoas maravilhosas, minha esposa ficou encantada e no feriado de abril decidimos voltar, convidamos o casal de amigos Pablo e Mary, que aceitaram logo de cara, mais uma trip formada, bela viagem, com belas escaladas e muita vibe boa.
Dona Romilda, minha esposa, Sr.Tião e Wesley 
Era a primeira viagem de Pablo para escalar vias tradicionais, até então ele só conhecia nossa Pedra Menina. Pra variar eu não disse em qual via íamos escalar, mas já tinha tudo planejado, pra ser sincero só minha esposa sabia. Em Pedralva o Sr. Tião como todo bom anfitrião nos recebeu de braços abertos e nos contou vários causos kkkkk, e enfatizou muita uma via, a famosa Tião Simão, que por sinal é uma das mais exigentes e belas do local.
Nosso quintal 

Minha intenção além de escalar era fazer uma homenagem ao Sr. Tião, então nosso objetivo era a via Tião Simão D3 5 Vl+ A1+ E3 330m, que o meu parceiro Pablo foi descobrir isso quando chegamos na base, e acabei falando sem querer kkkk,  lógico que a primeira opção que ele escolheria não seria essa via, com tantas mais tranquilas no local.
Pablo Veloso na base da Tião Simão
Mas conheço meu parceiro, sei de suas habilidades e desenrolou muito melhor do que o esperado. Uma via complexa com uma enfiada inteira em artificial, lances esticados, já tinha escutado histórias que muitos desistiram da escalada. Estávamos na base, agora era subir. O croqui feito pelos conquistadores está ótimo, tudo detalhado e mesmo assim consegui fazer minhas artes kkkk.
Primeira enfiada
A via começa por uma fenda linda e por lances de agarras que são protegidos por chapas, lances esticados e delicados, ainda existe muita agarra podre, além de muito musgo. A primeira enfiada é bem bonita e fui esticando, protegi em duas chapas, mas no croqui mostrava que havia mais. Continuei esticando a corda, e nada de achar as chapas, como a cabeça tava boa, continuei. Quando olhei para baixo havia esticado uns 20 metros sem proteger, para cima não havia lugar nem pra colocar uma peça, resolvi continuar até mesmo porque eram lances tranquilos. Pablo gritou dizendo que a corda ia acabar e eu nada de achar a P1, resolvi esticar a corda toda e alcancei um platô, onde montei uma parada em móvel. Quando Pablo subiu fechando esta enfiada, foi só risos, ele subia e falava, fio as chapas tudo aqui, e vc nem costurou kkkkkk, e eu respondia, uai não vi. Ai veio crux de tudo, estávamos a esquerda da P2 e muito  espinho na nossa frente, era uma pisada e um grito ai, outra mexida e outro grito ai e cheguei na P2.
Segunda enfiada
A P2 é super confortável, fizemos um lance, tiramos espinhos, dei uma olhada no croqui. Retirei os estribos, clifs e iniciei a guiada, com lances em livre que depois passam para um artificial delicado, os furos são de difícil visualização. Uma enfiada delicada e demorada que vencemos com um certo trabalho.
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Pablo limpando a enfiada do artificial
Depois dessa enfiada, a via mantém seu padrão de exposição, por não ser uma via muito frequentada existe muitas agarras quebrando, tem que  escalar com um certo cuidado. Nessa hora o Sr. Tião passeava com nossas esposas e mostrava todo o lugar, além de terem uma visão privilegiada de toda nossa escalada. A previsão era de chuva, havia algumas nuvens se aproximando, mas quem nos castigava era o sol.
Escalada delicada 
A escalada estava rendendo bem, um estilo diferente, e uma paisagem de causar inveja, a via impressiona pela verticalidade. Pablo vinha se mostrando muito bem para sua primeira via de parede, e seguimos sem problemas  pelas enfiadas seguintes.
Pablo limpando outra enfiada
A parede começava a ficar um pouco mais positiva e consequentemente as proteções ficaram mais afastadas, caracterizando o grau de exposição. Esta hora o sol se escondia por entre nuvens estranhas e ao longe já chovia, isso nos preocupava um pouco, mas o foco estava em chegar no cume.
Pablo chegando na P4
Estávamos chegando a P4, com lances esticados e delicados em aderência Nesta hora Pablo já reclamava de dores nos pés. Faltava pouco,apenas duas enfiadas nos separava do cume da montanha.
P4
Depois dessa enfiada a via fica muito tranquila e a escalada fluiu cada vez mais rápida, até mesmo porque precisávamos tirar o tempo perdido. Chegamos a P5 , os lances finais são tranquilos e bonitos, algumas proteções em móvel e algumas chapas protegem esta enfiada.
Última enfiada
passeio no final da via
Parei alguns metros antes do termino da escalada e chamei o Pablo, a corda estava muito esticada e pesada. Ele me passou e continuou a escalada chegando no topo, montou uma parada e me puxou finalizando nossa empreitada.
Cume 
O visual é muito bonito, fizemos um lanche, conversamos um pouco, afinal, momento para se curtir também né. Depois de algum tempo, guardamos alguns equipos na mochila e preparamos para a descida. Que seria feita pela via Suano Arco 200 metros.
Rapel na via Suano Arco
Descemos em um ritmo normal, o sol já tinha nos deixado e o Pablo havia esquecido a lanterna kkkk, aliás, achou que estava em sua mochila, só que sua esposa a tirou para usar kkkkk, quando chegamos na base havia escurecido, nossas mochilas maiores estavam na base da via, começava nossa saga, heheheeheh, eu havia brincando com o Sr. Tião que se nós não chegássemos até as 19 hs era para ele nos resgatar, afinal, ele conhece tudo aquilo como ninguém. Andar na mata a noite é muito complicado, ainda mais com uma lanterna só, demora se para caminhar.
 Pegamos nossas mochilas e descemos pelo caminho que achávamos ser o mais certo, e sai em cerca errada, cai em buraco no meio do mato, fui uma festa que só. Lá em baixo Sr. Tião estava preocupado e querendo ir atrás de nós, mas minha esposa o acalmou e disse que eu estava acostumado com essas coisas kkkkk  o vida difícil essa minha ..... Chegamos bem no acampamento com uma janta feita pela Dona Romilda , show de bola, batemos papo, contamos os causos, foi muito massa, ops, tomamos um banho também kkkkkk.
Mas a trip tava apenas começando, era o primeiro dia.
Parede 
No segundo dia Pablo tirou para descansar e eu parti junto com outro parceiro Paulo Roberto, objetivo dessa vez era a via Ossos do ofício D2 5 Vl E3 400m,  tinha mais dois amigos que formaram outra cordada Luigi e Tiguaça, e assim partimos para a empreitada, fui revezando desta vez as enfiadas com Paulo, e me senti um pouco cansado durante a escalada, reclamei bastante de dores nos pés kkkk.
Eu guiando a via Ossos do Ofício
Paulo até me disse uma hora que eu estava muito reclamão kkk, mas eu tava cansado mesmo, tinha escalado uma via exigente no dia anterior. Paulo foi um dos conquistadores da via, então nas enfiadas que ele guiava ia muito mais rápido que eu.
Paulo fechando uma das ernfiadas
Apesar de ser uma escalada maior, a Ossos é muito mais tranquila e assim completamos a escalada bem rápido. Fechava assim o segundo dia de climb. Agora era descansar para o último dia.
No último dia tivemos que optar por uma via mais curta e mais fácil, porque além de escalar teríamos que encarar praticamente 4 horas e meia de estrada pra voltarmos para a realidade de nossas vidas.....
Decidimos pela via O Sabotador 4 V E1 210m.
Uma escalada bem tranquila, mas que também não deixar a desejar pela beleza de suas enfiadas, uma via que é recomendada para aqueles que querem inciar sua escalada nas paredes tradicionais.
Primeira enfiada
 Queria ter  revezado as enfiadas com Pablo, para ele começar a guiar vias tradicionais, mas ele ainda sentia os efeitos da primeira escalada, os pés doíam, e o cansaço era visível. Decidiu que iria somente participar, eu que já não gosto de guiar, até reclamei kkkkk.
Puro desfrute
Linha linda, muito protegida em alguns lances, para sua dificuldade. Até estranhei de tanta chapa que tinha, afinal já estava acostumado com os esticões das outras vias.
Via: O sabotador
Existe um ou dois esticões que podem assustar quem não está acostumado a guiar um E2 pelo menos, mas nada demais, a via é muito boa e vale a pena experimentar.
Pablo em uma self na parada
Meu amigo e parceiro de escalada demostrava bem os sinais de cansaço, sorte que a via era curtinha, só 200 metros e chegamos no cume de mais uma via em Pedralva, a segunda de Pablo e a terceira minha nesta trip.
cume
Nesta via o mais chato é rapelar por ela, tem muitas enfiadas positivas,as cordas acabam agarrando e dando um certo trabalho, não lembro quanto tempo gastamos, mas chegamos cedo no acampamento, as esposas haviam adiantado o trabalho de desmontar as barracas e organizado tudo para a viagem. A despedida é sempre triste, afinal passamos três dias perto de pessoas maravilhosas como Sr. Tião e Dona Romilda, além de desfrutar de escaladas maravilhosas. Fica a dica para quem não conhece esta montanha, vale muito a pena escalar lá.
Ficaram algumas pendências a serem resolvidas, agora é aguardar a temporada novamente pra retornar, rever os amigos e mandar ver no climb.
























Um comentário:

  1. Excelente camarada Jonas... Para frente e para o alto meu Guru..http://senhordobone.blogspot.com.br/?m=1

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