| Pedra Menina |
Um fim de semana com uma previsão perfeita para escalar, eu estava com muitas idéias de onde ir, várias vias na cabeça e algumas parcerias até formadas, mas quando começa a dar algo errado, melhor nem insistir. Já havia conversado várias vezes com um camarada no facebook sobre escalar e conquistar na Pedra menina, mas tudo dava errado, as datas não coincidiam, sempre acontecia algo e neste fim de semana tudo encaminhou para isto novamente. Deus coloca tudo na hora certa no seu caminho, e parti para Barbacena na quinta feira do feriado pra encontrar com Guilherme Otoni, e posteriormente seguimos para a Pedra Menina.
Parceria que nem nós dois sabíamos que seria tão perfeita, top demais, nem vou escrever muito pra falar desse camarada pra não me perder nas palavras, mas pra resumir, Deus coloca as pessoas certas sempre na sua vida.
| Base da via A origem |
Preparamos pra subir a primeira enfiada da via que eu já havia conquistado com o Diego Campos, início praticamente todo em móvel, com um lindo diedro e duas chapas pra chegar na P1, subimos, levamos tudo pra cima, retomamos as conquistas.
| Guilherme fechando a primeira enfiada |
Peguei a furadeira e logo iniciamos os trabalhos, que parecia ser bem tranquilo, mas, como quase todas as vias na Pedra Menina, tudo que parece fácil se complica, a segunda enfiada foi ficando delicada, com muitas lacas podres e agarras quebrando porém fluiu muito bem e conquistamos 50 metros. Novamente o Gui subiu fechando essa enfiada.
| Segunda enfiada |
Paramos um pouco, bebi um pouco de água e comi um barra de cereal e já arrumei tudo pra continuar conquistando, subi pelo menos uns 20 metros, a bateria da furadeira estava prestes a acabar, mas, as minhas baterias já estavam bem ruins, e decidimos descer e continuar a conquista em outro dia, que seria no domingo. Descemos, mas, a vontade de chegar no cume só aumentou ainda mais em nós, e já ficamos pilhados pra retornar.
Chegou o domingo e fomos nós, dessa vez ganhamos as ilustres presenças dos amigos Luigi Zanetti e Rodrigo Assis, também escaladores de Barbacena que foram conhecer a Pedra Menina. Luigi é uma máquina, o camarada simplesmente fez um trabalho nas trilhas que pelo amor de Deus. Eu já havia quase me machucado nessa trilha, agora ele deixou tudo top, isso são poucas pessoas que fazem, só tenho a agradecer camarada, fez muito mesmo pelo local.
| Trabalho realizado pelo Luigi na trilha |
| Luigi Zanetti e Rodrigo Assis |
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| Trilha perfeita depois dos trampos |
Enquanto os meninos estavam na base, eu e o Gui já estávamos preparados pra subir e continuar a conquista com sangue nos zóio pra chegar no cume. A vibe estava incrível, energia estava em alta no local.
Assumi a ponta da corda já sai guiando a via.
| Início do diedro |
Chegamos até a P2 e já toquei até onde tinha conquistado na quinta feira, peguei a furadeira e bora continuar os trampos, parecia que ia ficar tranquilo a escalada, mas na Pedra Menina é assim, quanto mais positivo fica, menos agarra tem, e a terceira enfiada foi ficando delicada. Estávamos com poucas chapas e apenas uma bateria carregada, eu havia esquecido a furadeira em Barbacena com o Guilherme, não tivemos como carregar as duas. Venci a parte meio enjoada e cheguei um platô que tinha bastante mato, coloquei um grampo e já puxei o parceiro pra cima, posteriormente duplicando a parada. Mas o segundo grampo não entrou legal, e vamos arrumar isso da próxima vez que entrarmos na via.
| P3 da via |
Quando eu o meu parceiro de escalada Guilherme Otoni chegamos e realmente analisamos o final da via, ficamos meio impressionados, afinal a parede tinha ficado totalmente vertical kkkkkk. Se tratando do lugar onde estávamos, eu já pensei, roubada total, porque a característica da pedra são abaulados e quase nenhuma agarra. Cogitei até em fugir para o lado esquerdo que parecia ser mais fácil e chegar logo no cume, afinal restavam apenas 6 chapas e dois grampos, não sabíamos o quanto a bateria iria durar.
Olhei pra cima e vi um pequeno corte, que era a linha que queria seguir, Gui olhou pra mim e me disse, bora conquistar até onde der. Camarada é parceiro demais e vibe forte, toquei em linha reta e a via foi ficando pegadinha, bem vertical com lances delicados, parecendo uma via esportiva. Comecei a proteger com chapas, logo de cara gastei 3 das 6 chapas que restavam, de quebra um fato de amador aconteceu nessa hora, a broca de 12 mm para os grampos caiu pedra abaixo, acontece nas melhores famílias,'' foi o que meu amigo Gui me disse na hora'. Minha moral parece que desceu montanha abaixo com a broca, porque aí já não tínhamos os dois grampos na lista kkkkk, lembro de ter falado que íamos bater na porta. Faltava muito pouco pra terminar a conquista, havia colocado mais uma chapa e só restavam duas e um cado de pedra pra cima ainda. Quando cheguei no corte onde coloquei um móvel, ufa... foi a hora de analisar de novo o caminho, e resolvi tocar por uma parte que chega a ficar um pouco negativa, coloquei mais uma chapa e só me restava uma chapa kkkk.
| Guilherme Otoni em um self enquanto eu fixava a chapa |
| Fixando a última proteção da via |
Nessa hora eu falei pra ele que faltava pouco e já conseguia ver o mato do cume, mas tava sismado de tentar, quando de repente achei uma micro fissura e protegi com um camalot C3 que segura só peso do corpo mesmo kkkkk, e toquei pra cima. Parecia que iam surgir agarras melhores e de repente, some tudo, como já havia esticado um cado, parei e coloquei a última chapa, e ai faltava uns 5 metros mais ou menos pra terminar a via. Falei com o parceiro, bora pro cume?
Ele nem pensou duas vezes kkkkkk, responde borá. Não restava mais nada pra colocar no cume, o jeito seria esticar o máximo pra cima e puxar o Gui de algum lugar kkkkk. Deus ajuda quem cedo madruga, assim que fiz a virada que não era muito benta também, eis que me surge uma fenda e montei uma parada em móvel pra fechar a via com chave de ouro, uma enfiada que vai ficar na casa do Vllb.
| Eu e Guilherme já no primeiro rapel |
Não tivemos muito tempo pra curtir o cume porque já estava tarde e o sol nos castigou o tempo todo na parede e ainda precisávamos descer, optamos por descer pela via Os três mosqueteiros. Via recém conquistada por mim e dois amigos, nossa melhor opção naquele setor.
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| Linha da via |
Sem palavras para descrever a gratidão por todos que estavam ontem na Pedra Menina, mais uma clássica para o lugar, e agora continuar os outros projetos no local.
Em breve croqui com todas as informações.


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