Feriado de finados e mais uma oportunidade para se escalar vias de parede, mesmo meio que fora da temporada, porque o sol castiga quem se atreve a enfrentar as montanhas nesta época do ano, além do fator chuva. Um objetivo antigo, escalar a via Cactus malditus na Pedra menina.
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| Pedra Menina |
Está via foi conquistada em 2001 pelos escaladores João Felipin e Leonardo Rodrigues, que até então residiam na cidade de São João del Rei, e estes merecem destaque por está via. Os escaladores não haviam levado material de conquista, nenhum grampo ou chapa, isto tornou o comprometimento da conquista ainda maior naquele dia. Conquistaram a via Cactus, que na minha opinião é a mais clássica de toda está montanha, e estava intocada desde a conquista, 14 anos.
Sem muitas informações sobre a via, a aventura ficou ainda maior, quando eu ia para a Pedra Menina, sempre direcionava para conquistar vias.
Esse feriado foi diferente, novamente o convite foi feito a Pablo Veloso, e convidei mais um amigo João Melo, uma cordada de três poderia atrasar muito, e eu estava na fissura de repetir a Cactus e aproveitar para fazer uma via nova a Pr. Pedro Menino conquistada pelo Pedro Bugin, escalador carioca, está pelo menos tínhamos todas as informações.
Tudo certo, partimos de São Joào del Rei as 04:00 am, e chegamos no início da trilha as 06:15am, onde começamos ajeitar as mochilas e os lanches,
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| Pablo e João ajeitando as mochilas |
Minha meta era repeti as duas vias no mesmo dia, primeiro a Cactus com o Pablo e a segunda Pedro Menino com o João, todos concordaram e partimos trilha a fora, a caminhada não é longa, mas é bem forte em seu início, passando a uma trilha confortável e de visual deslumbrante. Chegando na base há uma caverna que abriga se do sol , onde ajeitamos tudo, eu e Pablo partimos para a escalada enquanto João descansaria para a segunda escalada.
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| João, eu e Pablo |
Iniciamos a escalada pela via A fornalha, recém conquista por escaladores de Belo Horizonte, queriam conquistar a via toda, mas não tinham informação que já existia uma via ali, conquistaram duas enfiadas bem bonitas e mais retas que acessam as chaminés da Cactus, são 60 metros de escalada em móvel, com apenas uma chapa e as paradas fixas na base da grande chaminé, essas enfiadas deixaram a escalada perfeita.
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| Primeira enfiada - Via A fornalha |
Uma bela fenda de dedos e passadas em aderência com muito musgo, fazem deste início uma verdadeira aventura, e a quantidade de cactos assusta e nos detona o tempo todo.
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| Segunda enfiada |
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A segunda enfiada começa por um diedro, que se
escala meio que em chaminé e pisando na árvore no início, depois passa por
fendas alucinantes, linda está enfiada e bem vertical. Depois chegamos na P3
que é a base da grande chaminé da cactus, que os escaladores de BH colocaram 3
chapas e desceram, achando que estavam conquistando, enfim uma outra história e
que já está muito bem resolvida, e graças a Deus que colocaram estas chapas kkkkk.
Tiro o chapéu para os conquistadores, uma chaminé estranha que vai se alargando
e toda cheia de musgos, são pelo menos uns 40 metros neste estilo,
que hoje está mais acessível pelas chapas colocadas kkkkk, e chegamos na P3,
onde o comprometimento se torna maior, a parada é móvel, e para abandonar a via necessitaria o abandono de material.
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| Eu guiando a terceira enfiada |
Escalada desgastante que exige muito do físico e do pisco do escalador.
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| Pablo na terceira enfiada |
Desta enfiada para
cima é chegar no cume ou abandonar equipamento móvel na parede para descer. A P3 não é uma das melhores paradas que já fiz em escaladas, e é a partir
dai que se entra no crux da via Cactus malditus, um Vl sup trash, com uma
fenda larga onde eu escalei usando a técnica de diedro, depois meio chaminé,
depois entalando a perna, super cansativo, além do fator exposição, seu caísse
nesses lances eu iria bater em cima do Pablo.
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| Pablo chegando na P3 |
Esta enfiada é
exigente, pode se proteger em uma pedras entaladas e depois continuar tocando, as
proteções ficam espaçadas, e havia tanto mato e cacto nesta parte, que uma hora
um tufo gigante de terra e cacto se desprendeu caindo na parede, chegou a bater
em meu parceiro, que se não estivesse bem perto da fenda poderia ter se
machucado, no caso somente se sujou kkkkk. O croqui da via dizia que haveria
uma fenda de entalamento de mão e perna, eu aguardava isso, mais nada, somente
uma fenda bem cheia de terra e mato, cacto kkkk, que agora está limpa, porque
passei que nem um trator arrancando tudo, sorte de quem for repeti lá agora.
Toquei uns 30 metros mais ou menos ou mais, não me lembro, cheguei em uma
fenda perfeita que cortava a parede, está sim entrava a mão, mas a escalada era
tranquila e nem protegi, toquei até onde poderia montar a P4.
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| P4 da via |
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Pablo veio limpando a enfiada, uma escalada cansativa, parou uma vez pra descansar um pouco e tocou rapidamente, queria terminar logo esta enfiada.
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| Pablo limpado a quarta enfiada |
Esta enfiada apesar
de tensa é bem bonita e agora tá com as fendas limpinhas.
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| Pablo terminando a quarta enfiada |
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A escalada começa a ficar cada vez mais tranquila depois que chega na P4 da via.
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| Pablo na P4 |
Começou
a diversão para mim, a linha no croqui dizia que era uma diagonal a direita, eu toquei um pouco só para a direita e segui reto, os
lances pegam sem dúvida um E3, estiquei 60 metros com duas peças,
a cabeça tava boa, e cheguei a ver a pedra do cume na minha frente quando o
Pablo disse que só tinha 5
metros de corda, novamente tive que parar e montar outra
parada em móvel para recolher o parceiro.
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| Eu guiando a quinta enfiada |
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Montada a parada
puxei o Pablo que quando chegou em mim, já saiu guiando os últimos 15 metros para acessar o
cume da parede, assim completamos a via em 4 horas e meia de escalada,
tendo assim sua primeira repetição, uma escalada mística do lugar e sem
dúvida uma das mais belas de lá.
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| Pablo guiando os últimos 15 metros da via |
Não curtimos muito o
cume, porque era só a metade da metade da empreitada do dia, tiramos uma
fotinha para registrar e já iniciamos o rapel pela via Os três mosqueteiros,
porque João Melo me aguardava na base para escalarmos a via Pedro Menino ainda
kkkkkk ajaaaaa...
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| Pablo e eu no cume da via Cactus Malditus |
Chegamos bem na base, comentamos alguma coisa sobre a escalada enquanto eu fazia um lanche, João já se preparava , pegamos os equipos e saímos, afinal era outra via de comprometimento, eu já tava sentindo um cansaço da primeira escalada, cheguei cogitar a falar com João que não subíssemos kkkk, mas eu estava determinado a completar as duas vias.
Via Pr. Pedro menino, a primeira enfiada foi um trepa mato que eu acho que poderíamos fazer andando e começar a escalar realmente de onde é a P2. Mas era a primeira vez de João na Pedra menina, cheguei em uma árvore, onde montei a parada com uma fita e puxei o parceiro.
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| João na P1 |
A segunda enfiada é bem legal, lances com fendas bem abertas, e um diedro super bacana, que acessa a base da P3. a via já começa a mostrar seu estilo aventura, e que também vai se tornar uma clássica do local.
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| Eu guiando a segunda enfiada |
A via segue por diedros, pedaços em chaminé, aventura pura, ótima opção para a parte da tarde, porque fica na sombra, que espetáculo isso. Não levei croqui da via kkk, e logo na saída da terceira enfiada fiquei em dúvida do trajeto da via, tinha um diedro estranho e com muito mato no final, optei em buscar pela parte interna da montanha, achando que estaria certo e acabamos conquistando uma variante kkkk que não é de graça também deve ta na casa do Vl+, uma pequena fenda que depois passa a chaminé, com lacas podres quebrando o tempo todo , chegamos em um grampo na via que o croqui diz que estava mal batido e acessava um diedro lindo. parei e puxei o João Mello dali mesmo para evitar o atrito da corda. Deste ponto existe os lances mais bonitos da via, mas chega no lance que mais detestei, o tal buraco da coruja, Deus me livre de ficar entalado kkkkkk e chegamos na P3 da via.
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| João limpando a terceira enfiada |
Como a parede fica na sombra na parte da tarde é mais tranquilo de escalar, a via também exige fisicamente, a exposição não foi tanta, eu já estava cansado nessa hora,a final era segunda via do dia, cheguei a sentir fortes cãimbras na mão direita. João se preparava para passar no buraco da coruja, saiu cheio de penas kkkk...
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| passagem do buraco da coruja |
Partimos para a penúltima enfiada da via, que segue por um sistema de fendas muito bacana e que tem um lance de Vlla bem enjoado de ser vencido e no croqui ainda dizia que tinha uma certa exposição depois kkk, para deixar você atento porque existe umas lacas podres que posteriormente caíram kk, muito linda essa enfiada onde chegamos na P4 bem debaixo do grande teto.
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| João limpando a quarta enfiada |
Faltava agora apenas uma enfiada para chegar no cume novamente, eu tava bem cansado nessa hora, afinal havia guiado as vias integralmente, a cabeça cansa um pouco também, e o teto se mostrava meio estranho, e no croqui o grau era V+, só que não tinha pé nenhum.
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| Eu e João na P4 |
Entalei a mão na fenda e fui tocando,protegi com duas peças e consegui vencer o lance, no croqui diz que é uma enfiada só, mas optei por parar no grampo depois do teto e puxar o parceiro, evita muito o arrasto da corda.
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| João saindo do teto |
Chegamos no cume e só tiramos uma fotinha, iniciamos os trabalhos para descer, afinal o sol já estava desaparecendo, e os dois espertos subiram sem lanterna de cabeça, amadorismo kkk, gastamos três horas e meia nesta via, só que havíamos começado meio tarde, chegamos no cume as 18 hs, iniciamos a descida, fizemos dois rapeis, faltavam apenas mais dois, mas a corda fez o danado do favor de agarrar, tentei de várias formas , mas ela não se desprendia, ai a noite caiu, estávamos no meio da descida sem lanterna kkkk.
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| Cume novamente |
Sorte nossa que a descida era por uma via que eu conquistei, então sabia onde tava todas proteções, mesmo sem enxergar um palmo na minha frente, a descida ficou bem mais lenta e ainda por cima com uma corda só, tivemos que rapelar três vezes. Quando cheguei na base tava achando que as mochilas estariam lá para pegar a lanterna, aí o João me lembrou que tava tudo na caverna, aja, andar no mato sem enxergar nada, mas estávamos no chão, pegamos as lanternas, ajeitamos as mochilas rapidamente e partimos para encontrar com o Pablo. Horário de verão é foda, escureceu já é tarde.
Os celulares descarregaram e nem conseguimos avisar nossas esposas, que estavam em casa muito preocupadas, sem notícias, putz, a chegada em casa foi por volta das 23:30 e a primeira coisa que eu ouvi da minha esposa..... nem posso escrever kkkk .... mas entendemos o porque disso né. Ela tem toda razão. A corda teve que ser resgata depois por mim e pelo Pablo.
Uma aventura e tanto, montanha é montanha em qualquer lugar, a Pedra Menina tá ficando um lugar muito top para se escalar parede, recomendo essas vias para aqueles que curtem escalada aventura e comprometimento.
Boas escalada a todos...
Parabéns aos escaladores!!!
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