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| Lugar encantado |
Quinta feira antes do feriado converso com o Paulo pra acertar a saída e ele me diz que não poderia viajar mais, fiquei sem lugar. Iria perder o feriado e a viagem pra Salinas, afinal fica muito longe de minha casa, a melhor opção sempre é feriados longos. Liguei para Thiago Lemos e fiz uma guerra psicológica com ele. Falei tanto na cabeça dele que aceitou ir comigo nesta empreitada, mesmo sendo em cima da hora, desmarcou seus compromissos e assumiu a responsabilidade de dividir a corda comigo nas imensas paredes de granito no local mais tradicional do Brasil para escaladas de aventura.
Parti pra Barbacena na sexta de madrugada, encontrei com o Thiago e seguimos para nossa trip, minha ideia inicial era ir para o morro dos cabritos e escalar uma via lá primeiro, mas poderia ser mudado e seguir direto para os três picos. Já chegando na região de Terê decidimos que a primeira escalada seria realmente no vale dos frades, afinal já estávamos a muito tempo dentro do carro.
Chegamos em um horário incomum para se escalar uma parede nessas regiões, era 10:30, ajeitamos as mochilas, pegamos um pouco, bem pouco de comida kkkkk e começamos a trilha. Destino a via Mário Arnauld D3 5 Vl A1 E1 500 metros, afinal era a primeira vez de Thiago em paredes assim e em salinas, optei por esta linha mais protegida para ele se adaptar. Caminhada de aproximadamente uns 50 minutos e estávamos na base da via. Meu parceiro além de escalador é fotógrafo, mas esqueceu o cartão da câmera kkk. Havia uma cordada escalando a mesma via. Começamos a escalar praticamente meio dia, uma loucura mas kkkk...
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| Thiago limpando a via |
A escalada foi fluindo muito bem, pensamos até que poderíamos alcançar a cordada acima de nós, kkkk, mas era muita parede. Em montanhas o clima muda drasticamente, começamos a escalar com um sol e de repente tudo muda.
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| Cada vez mais alto na parede |
A escalada seguia sem grandes problemas, uma via muito protegida que nem retrata o real estilo das paredes de salinas, a graduação aumenta de acordo com que se ganha altura na escalada. Pra completar não achamos alguns grampos de paradas kkkk, e seguimos nossa empreitada para vencer a montanha e o tempo, afinal tínhamos começado muito tarde.
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| eu e o Thiago em uma das paradas |
Chegamos na P8 e havia duas opções, a linha original ou uma variante em móvel em um diedro lindo, que não ouvi as dicas e não levei os micros friends, enfim, pensei umas duas vezes, mentira kkkkk uma vez só.
Tocamos pelo diedro que no croqui diz 3 grau kkkkk aiaiaiaiaia. Alguns lances delicados para esse homem gigante que eu sou de 1,63 m, e o Thiago diz que viu meu rosto se transformando kkkkk. Fui subindo protegendo uma peça aqui , outro ali e cheguei no final do diedro, lindo por sinal e fiz questão de tirar fotos da parceria nele.
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| Thiago escalando muito |
Uma sequencia bem linda nessa escalada.
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| Thiago no final do diedro |
Depois a escalada vai ficando cada vez mais vertical, fomos superando e curtindo a escalada. Thiago começou a dizer que estávamos mudando de fase, como no vídeo game, isso nos divertia.
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| clima de montanha |
Corríamos contra o tempo, descer da montanha a noite já era uma certeza que me passava pela cabeça a cada enfiada. Passamos pela enfiadas verticais e chegamos na P12 onde se caminha por entre bambus e matos, uma das piores da via kkkkk, mais díficil kkkk e chegamos na base do artificial P13. Uma enfiada chata para escalar, grampos espaçados e não levei nenhum estribo, improvisei com uma fita e toquei pra cima, o final desta era em livre também. Quando cheguei na P14, a cordada que estava acima de nós já estava descendo, e o sol também, já era umas 17:30 pm. Thiago subiu limpando está enfiada e quando chegou na parada tínhamos somente um pouco de luz, mas sem sol algum kkkk. A vontade de terminar a via era sanguinária e sai tocando a ultima enfiada e mais chata pra mim, com lances em diagonais e horizontais que fazem um arrasto gigante na corda mesmo colocando fitas grandes, terminei a enfiada sem lanterna, mas já estava escuro, tanto que nem costurei o último grampo kkkkk. Thiago veio limpando a enfiada com lanterna de cabeça e chegamos na última parada as 18 hs.
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| cume as 18:00 hs |
Era apenas a metade de nossa jornada iniciando, afinal teríamos que rapelar os 500 metros de via e tudo a noite, começava a saga novamente. Ainda curtimos um pouquinho o sofrimento do frio e da noite , antes de descer, afinal, aquele visual era extremamente lindo.
A descida em montanha é perigosa e meticulosa, quando isso é a noite então dobra tudo. Dava para ver as lanternas da cordada que havia descido na nossa frente e o tempo que demoraram pra isso.
Começamos, no inicio foi ate tranquilo, passamos novamente pela matinha e ai já começa os trabalhos para achar os grampos kkkkk. Isto até não me preocupava, mas sim as duas enfiadas de mato do meio da via, e as enfiadas que não achei os grampos da parada kkkkk. Se não havia achado de dia, imagina a noite kkk.
Monta rapel, abre rapel, puxa corda, uma rotina que se estendia pela noite kkk. Chegamos perto das enfiadas que passamos pelos matos e meio que nos perdemos no meio da montanha, e dale Jonatas montando rapel em árvores pequenas.... lembrei do Pablo meu amigo Árvore kkkkk. Seguimos e a hora passando juntamente com isso. As lanternas nem estavam muito boas e o cansaço batia cada vez mais. Enfim achamos novamente os grampos e continuamos nossa descida, até chegar na base da via. Onde chegamos exatamente as 23 hs totalizando uma jornada de 11 horas ativas na via. Isto tirando a viagem kkkk. Caminhamos até o carro onde chegamos por volta de meia noite, o dono da casa em frente a trilha ficou preocupado e disse que eramos loucos de começar a escalar tarde kkkkk. Mortos de fome, a opção que tínhamos era seguir pra salinas e chegar muito tarde e sem comer algo direito, nosso salvador foi o amigo Gilson Manoel que nos recebeu em sua casa mesmo sendo na madrugada kkk. Salvador nosso, chegamos em sua casa por volta de uma e meia da manha, fizemos uma sopa e dormimos, ou melhor apagamos....
Dia seguinte 8 hs destino Abrigo do Mascarin e fomos nós.
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| Abrigo do Mascarin |
Neste mesmo dia ainda fizemos uma tentativa de escalar no capacete, a via era a Cagões e mercenários, mas a via é bem intensa kkk, e quando chegamos na base , putz, o frio se tornou intenso demais. Cansados do dia anterior, de uma jornada intensa, muito teriam tirado o dia pra descanso, e nós tentando fazer outra via. Nesta hora tivemos que reiniciar o jogo, e voltar pra fase anterior. Voltamos e tiramos o resto do dia de descanso, afinal teríamos dois dias ainda de escalada e vias maiores, agora em salinas.
A empreitada do dia seguinte era escalar no capacete a via Fata Morgana D3 5 V+ E3 280 metros, esta inicia a partir da segunda enfiada da CERJ, uma via linda, realmente linda, com enfiadas inteiras protegidas em móvel, eu e o Thiago fizemos a burrice de não levar nem cel e nem câmera pra registar nada dessa escalada. Uma das vias mais bonitas que já escalei lá, com passadas expostas e delicadas, normal do lugar ne kkk, Thiago vinha dizendo que já tínhamos começado no nível hard do jogo neste dia, e que a cada lance era um chefe a ser detonado kkkk, riamos, curtíamos a vibe, escalamos bem tranquilos neste dia. O tempo também ajudava bastante, fazia frio, mas o sol aparecia e nos presenteava em muitos momentos. Chegamos no cume e nem registramos kkk, assinamos o livro, pensamos em esperar uma amiga que escalava a El Kabong, na expectativa que tivesse uma câmera kkkk. Mas decidimos descer e descansar. Afinal o último dia ainda íamos escalar mais uma via.
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| preparo de nosso jantar |
Fizemos um rango daqueles e Thiago nos presenteou com estas fotos, da pra perceber que as melhores fotos foram tiradas por ele claro kkk. Depois de um rango muito bom e quente descansamos fomos pra barraca descansar, e teria que ser cedo, porque tinha um camarada em uma barraca perto da nossa que parecia um trator pra roncar kkkkk. Separamos o equipo e já tínhamos a via do dia seguinte em mente, Sol Celeste D2 5 V+ E3 280 metros. No pontão do sol.
Acordamos cedo, tomamos um café e partimos para a trilha novamente, chegamos na base depois de quase uma hora de caminhada. Desta vez Thiago levou sua câmera e tirou algumas fotos.
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| Base da Sol celeste |
Começamos a escalada e neste dia o frio voltou a nos castigar, desta vez veio com tudo. No dia que chegamos no abrigo escaladores haviam abandonado esta via justamente pelo frio. Logo na saída meu parceiro tirou algumas fotos que viraram poster na minha casa.
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| Primeira enfiada |
As duas primeiras enfiadas não são tao verticais, são lindas e de responsa do mesmo jeito. Passadas super delicadas, e fui ganhando altura na parede.
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| ainda na primeira enfiada |
A segunda enfiada já tem um crux de dar trabalho, que demorei uns 35 minutos pra resolver, Jesus , vai e volta, sobe e desce, e consegui resolver. Thiago passou sem problemas e tirou todo o atraso que tive nesse lance.
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| Eu na segunda enfiada e muita parede pra cima |
A terceira enfiada já começa a verticalidade e lances cada vez mais longos. Linda enfiada, mostrando o que há de melhor em salinas, escalada de responsa.
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| Thiago limpando a terceira enfiada |
Lances delicados que pareciam nos dizer o que ainda estava por vir kkkk.
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| Thiago chegando na P3 |
Chegamos na P3, ponto extremamente vertical, ventava bastante, o frio nos cortava, e olhei pra cima o próximo grampo estava a uns 15 metros da parada kkkkk. Bem ta na chuva é pra se molhar, objetivo traçado e lá fui eu guiar mais uma enfiada, escalava em lances delicados, trabalhando bem os pés, canso de falar isso com meus alunos todos os dias kkk, fui tocando e o grampo parecia não chegar. Quando costurei dei minha primeira respirada aliviado, a sequencia era assim, grampos nessa distancia e o crux era uma saída meio que quase negativa kkkkk ou uma barriga, levei alguns minutos respirando, trabalhando minha mente e conseguir vencer o lance, até que cheguei na P4.
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| Thiago depois de passar o crux |
Pensei em ter passado a pior parte kkkk, mas salinas é salinas como sempre.
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| Thiago na terceira enfiada ainda |
A quarta enfiada, tem um grampo apenas, sendo o restante das proteções todas em móvel, e passa por uma aresta, lances super delicados, o vento quase me derrubou da montanha por duas vezes, escalada realmente comprometida e que neste dia nos desgastou bastante. Muito frio, a comunicação ficava ruim por conta do vento, mas a sintonia e a vibe estava excelente e fez com que a escalada fluísse da melhor maneira possível.
Cheguei na P5. Nesta muito complicado de tirar fotos, meu parceiro veio limpando a enfiada e se juntou a mim na parada. Faltava apenas uma enfiada praticamente, porque da P6 pra P7 é uns 15 metros pra acessar um cume pequeno da via. Thiago se mostrava bem cansado, assim como eu.
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| Eu e Thiago na P5 |
O frio era um fato que estava pesando bastante nesse momento, vou confessar que passou pela minha cabeça em descer da via. Mas tracei um objetivo que é cumprir as vias para o currículo da Aguiperj, e eu sou assim, quando pego uma coisa pra fazer vou até o fim.
Olhei pro meu parceiro e disse to indo pra última camarada. Uma saída meio enjoadinha e depois começa um veio de agarras incríveis com um lance até meio negativo e o mais bonito, praticamente uma escalada limpa, somente um grampo também em toda enfiada. O cansaço, apertava, o frio mais ainda, antes de eu chegar na P6 Thiago chegou a dizer que eu poderia descer limpando a enfiada, porque ele nem iria subir. Fiquei quieto e nem respondi, sabia que o guerreiro não iria fazer isso no final da jornada, e continuei até chegar na P6. Montei toda segurança e logo chamei Thiago. que sai rapidamente limpando a enfiada. Quando chegou na parada mesmo estando com muito frio e cansado. Ajeitamos e tiramos aquela foto que representa praticamente toda nossa viagem. Ta expressado em nossas faces o que escalar em boa cia , e em um dos melhores lugares do Brasil causa.
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| Jonatas e Thiago- Sol Celeste |
Começamos a descida logo depois, porque o frio só aumentava a cada momento, logo no primeiro rapel a corda agarra em um bico de pedra, eu tava muito cansado que logo pensei em cortar a corda kkkkk. Mas com calma puxamos e está acabou se soltando, fomos descendo e chegamos bem na base, com o dever cumprido.
Partimos para o abrigo, e lá quando chegamos só havia nossas barracas kkkk, Mascarin disse que realmente aproveitamos o fim de semana. Ajeitamos rapidamente nossas coisas no carro, ainda tínhamos um cado de chão pela frente até nossas casas.
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| Última foto da trip |
Pegamos o carro seguimos de volta pra casa, uma pequena longa jornada de quase 5 horas dirigindo até o interior de Minas Gerais. Encerrava assim a trip das trip deste ano, umas das melhores viagens que já fiz, neste projeto de completar as vias para o currículo. Além da obrigação de completar as vias, conseguimos curtir bem a escalada. Lugar incrível, escaladas incríveis e cia incrível.
Vamo que vamo que ainda tem muita escalada pela frente.
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